Menos
Meu “desplanejamento” anual.
A virada de um ano para o outro é frequentemente utilizada como um gatilho de revisão de planos. Usualmente começamos um novo ano nos perguntando quais são nossos objetivos e o que faremos para conquistá-los. Essa é a prática mais comum, que resulta em listas do tipo: se inscrever na academia, ler 1 livro por mês etc. Também é muito costumaz terminarmos o ano com a maior parte da lista sem “checks” ou, nos piores casos, sequer nos lembrarmos de quais eram os itens em algumas semanas depois.
Um dos principais motivos, ao menos no meu caso, é no espírito da coisa: nos preocupamos muito com o que devemos começar a fazer. Somando as novas ideias com as resoluções anteriores, acumulamos várias iniciativas que, frequentemente, resultam em um efeito deletério: pouca manteiga para muito pão. Uma quantidade limitada de tempo, energia e atenção, espalhada em muitos itens. Atividades que sugam o êxito de outras.
Ao perceber isso, concluí que uma abordagem possivelmente mais eficaz está em refletir principalmente sobre o que devemos parar de fazer. Uma checklist negativa. Novas iniciativas por vezes são necessárias, mas é muito mais provável que já estejamos fazendo o que precisa ser feito - mas falta concentrar tempo, energia e atenção suficientes, devido aos diversos pratos que estamos tentando equilibrar.
A raiz desse raciocínio mora nos princípios da inversão e da massa crítica. Ao invertermos o problema, buscamos evitar os possíveis erros, comportamentos ou atitudes que nos impedem de atingir um objetivo. Ao concentrarmos a energia, tempo e atenção (as três coisas, paralalemente, são fundamentais) em menos coisas, garantimos atingir mais rápido o ponto de massa em que a própria atividade se sustenta, onde os resultados tendem a serem ampliados e mais “alavancados”, fazendo mais, com menos.
O resultado final é uma priorização e simplificação. Você escolhe o que é mais importante naquele momento e reduz ou remove todas as outras que vão contra ou desviam recursos para aquele determinado objetivo. A tendência é que seus planos sejam mais simples, mais leves, e mais direcionados. Mas não mais fáceis, porque ter disciplina para evitar coisas é tão difícil como ter disciplina para fazê-las.
Exemplos práticos:
Ler menos livros, porém absorver melhor os conceitos daqueles mais importantes, ou reler outros que foram fundamentais no passado. Fazer menos atividades na rotina, mas colocar mais tempo e atenção nas que são mais essenciais e gastar mais tempo pensando. Conviver com menos pessoas e evitar outras, mas ter tempo de qualidade com os mais importantes e buscar conhecer outros mais alinhados com você. Usar menos o celular e redes sociais, perdendo menos tempo e limpando a mente do excesso de notícias, informações e “novas soluções” para os problemas da vida.
Resolvi compartilhar esse pensamento aqui porque foi, sem dúvidas, umas das melhores coisas que eu fiz em minha vida nos últimos anos. Não é nada muito brilhante, e até meio óbvio, mas são as coisas simples que geralmente funcionam.
Compartilho, por fim, breves trechos que me chamaram a atenção, e que de algum modo estão ligados ao tema:
Simples > Complexo.
Menos = mais.





Tema bom. Return on time é uma idéia importante e subestimada. E excesso de atividade dilui return on time. Cheat code é casar return on time com deep work. Bom ver que voltou a escrever